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Banda: HULK
Data da entrevista: junho 2002
Entrevistador: Raphael Rodrigues (Alternative Noise)
Entrevistado: Marlisi - vocal
Cidade/Estado: Curitiba/PR

01) Quem é quem na banda e o que cada um toca?
Eu sou a Marlisi, vocal e letrista, daí tem o Júlio, meu namorado, que toca guitarra, faz backing e é quem compõe mais, a Flor, backing e guitarra, o Nilo, baixo e o Renê, bateria. Essa é a formação atual. Já tivemos mil outras, mas vamos ver se essa dura!

02)Como foi o começo da banda? Como surgiu a idéia do nome Hulk? A banda já teve outro nome?
A banda começou em junho de 1998. Eu e o Ju queríamos tocar juntos e então resolvemos chamar uns amigos que fossem a fim de fazer um som com a diferença de ter um vocal feminino. Chamamos pro baixo o Mauricião (No Milk Today) que adora banda de mulher, o Maurício Gau-Gau (também do No Milk Today atualmente) pra batera e o Rodrigo ex-Confusion pra outra guita. Foi massa tirar uns covers de banda de mulher, tipo Tilt, Lunachicks, Muffs e coisa do tipo.
Aí foram surgindo músicas próprias com essas influências misturadas com as da bagagem de cada um e assim foi. O nome foi discutido bastante, fiz uma lista enorme, daí num ensaio
estávamos tentando resolver e começamos a brincar “porra, todo mundo tá dando nome de personagem de desenho e coisa assim, vamos dar também!”
mas foi um comentário de piada e aí ficamos falando “Speed Racer,
Hulk...” e ficou o Hulk no fim das contas. Aí pra ficar diferente, eu
queria que fosse escrito de outro jeito, com Q no final, sei lá, mas
daí optamos pela trema no U pra dar um toque tipo Hüsker Dü na coisa...

03) Sei que o Júlio já tocou no Pinheads, e vocês , já tocaram em outras bandas antes do Hulk?
Sim, todos temos “background”...hehe. O Júlio é, como falam nossos queridos amigos do Randal Grave “Júlio Pinheads, ex-Linhares” haha. Eu tocava antes numa banda de um som tipo industrial, chamada Lifo, junto com meus irmãos. A Flor tocava no Artificial, e o Renê e o Nilo tocavam no Boi Mamão, tocaram no Better Days, tocam hoje no Mud3 sendo que o Renê também toca com o Sugar Kane.

04) Como é a cena underground de Curitiba e do Paraná no geral?
Ah, sei lá, é meio difícil de definir, mas basicamente eu considero
boa.
Em Curitiba temos o 92º, que é o melhor lugar do planeta pra tocar,
onde a gente se sente totalmente em casa. Tem uma galerinha que sempre comparece aos shows por aqui e tal, é bem massa. Tem banda pra caralho e há uma convivência boa entre elas. No resto do estado não sei dizer muito porque não conheço tanto pra falar a verdade, mas sei que tem uma galerinha em Ponta Grossa, em Maringá, Londrina e em mais algumas cidades que metem bronca.

05) Fale um pouco sobre a Barulho Recs. Quais as bandas do cast no momento e quais os futuros lançamentos?
A Barulho existe há uns 5 ou 6 anos e começou com o trabalho do Júlio de distribuição de material e tal. A coisa toda gira em torno dele até hoje e felizmente tá crescendo firme e forte, ao seu tempo. Tem a loja da Barulho também aqui em Curitiba que tá comemorando 2 anos agora em abril e vai de vento em popa. Cara, tem muitas bandas... a Barulho já tá no 35º lançamento ou algo do tipo, sendo que nós somos o 33º. As bandas do cast hoje são o Hülk, claro, o Randal Grave, os Catalépitcos, o Pelebrói Não Sei, o Attaque 77 e o Smitten da Argentina, o Skin of Tears da
Alemanha, e outras que não lembro agora. Esse ano a Barulho vai mandar ver em lançamentos muito bons, a meu ver, como o Hülk (lógico né!) e o Millencolin – Pennybridge Pioneers, por exemplo. Tem muita coisa ainda vindo por aí, mas novamente, não consigo lembrar!

06) O que você anda escutando atualmente e quais bandas novas você escutou e gostou?
Cara, já faz um tempo que tenho ouvido muito Alkaline Trio, que eu amo, Hot Water Music, Dashboard Confessional (tô ouvindo agora mesmo), Jimmy Eat World, Get up Kids, Saves the Day, Reggie and the Full Effect, New Amsterdams... muita coisa mais emo como você pode perceber. De coisa nova, ando apaixonada por Ex Number Five e Closure, duas bandas americanas pouco conhecidas mas boas demais.

07) Se eu abrir seu cd player agora, quais cds irei encontrar? Faça um comentário sobre eles.
Cara, uma sonzeira variada. Smoking Popes, que é muito bom e tem um pouco a ver com o background do Alkaline Trio. Wizo, que é bom demais, engraçado, divertido, despretensioso... e cantar em alemão sem entender nada é o que há! Hahaha. Todos do Alkaline Trio, lógico, inclusive o split deles com o Hot Water Music que já é o melhor do ano com certeza, todas essas bandas que citei na resposta anterior, Belly, que é uma grande influência minha pra cantar, Skin of Tears, essa banda alemã foda pra caralho, entre outras. Claro que tem muito som que eu curto que nem
citei porque ultimamente não to ouvindo, mas vale lembrar: os clássicos unânimes da galera, tipo Bad Religion, Face to Face e outros que moram no meu coração, como Snuff, Parasites e Millencolin.

08) Se você fosse montar um cdr coletânia, quais bandas não faltariam de
jeito nenhum? Se quiser fazer um comentário sobre elas, fique a
vontade.
Ah caralho... vou ficar repetindo tudo! Mas tá. Vou falar as bandas
mais importantes pra mim atualmente então, que fazem um som muito foda que deve marcar a minha vida de um jeito ou de outro, pelo menos neste momento. Vai sair uma mistureba danada, mas vai lá:
Alkaline Trio, Get up Kids, Ex Number Five, Closure, Smitten, Hot Water Music, Millencolin, Snuff, Guns’n’wankers, Belly, Parasites, Face to Face, Bad Religion, Ramones, Dance Hall Crashers, Garbage, Squirrel Nut Zippers, Hülk (não posso evitar! haha) e acho que tá suficiente pra dar uma idéia.

09)Fale um pouco sobre a primeira demo tape de vcs "Got ya" e faça uma comparação com a demo lançada no ano passado "4 punk rock songs".
A demo foi gravada em fevereiro de 1999, ou seja, no século passado. Hahaha. Naquela época fazíamos um som muito mais básico, numa linha melódica no estilo meio Fat Wrecks, digamos assim.
Depois a segunda demo foi gravada um bom tempo depois, sendo que durante esse período a banda mudou de formação, amadurecemos nossa personalidade. Assim saíram essas 4 músicas mais puxadas para punk um pouco mais pesado, no sentido de dar bem mais ênfase às guitarras, com vocais mais trabalhados e tal.
Desenvolvi e passei a explorar mais meu vocal, jogando mais melodia emo nas vozes. Essa deminho era só o começo na verdade, dá pra perceber que ainda mantivemos aquela raiz melódica clássica na Friends e um pouco na Second Chance, por exemplo. A Lucky e a Rather Not têm mais a cara da linha que estamos seguindo agora. Vai dar pra perceber isso ainda mais no nosso cd, Bizzarro, que tá saindo agora em abril. São 15 músicas novas, algumas o pessoal já confere em versões de ensaio no mp3.com.

10) Já aconteceu algo diferente ou estranho em algum show de vocês? Fale um pouco sobre.
Ah, sei lá... tem que lembrar... não sei, nada de extraordinário. Só
coisas que acho que toda banda passa... Já rolou de eu cair do palco,
pois eu pulo feito uma perereca... hahaha. Foi engraçado, mas não me machuquei nem nada. Também recentemente teve um show em que umas duas
cordas do Júlio arrebentaram. Daí tinha que ficar parando um monte, enrolando, contando piada... aí resolvi tocar “Radio” do Alkaline Trio,
com a Flor, tipo só voz e guita. Mas daí o baixo e o batera foram
acompanhando no “feeling” e a galera curtiu. Não foi nada planejado, mas depois, num show em Camboriú que fizemos, tinha gente pedindo pra tocar Alkaline Trio de novo, também o Davi do Punknet ficou sabendo e já cobrou que quer ver um show nosso com essa cover do Alk3 incluída...
haha. A notícia correu de um jeito quase inesperado! Mas foi massa,
muito massa.

11) Com o aparecimento do CPM 22 nos grandes veículos de divulgação, você acha que isso pode de alguma forma ajudar a fortalecer a “cena” independente e abrir os olhos para o underground nacional?
Acho que não. Ajuda um pouco, mas não tanto quanto pode se imaginar por aí, creio eu. É massa que a galerinha mais nova vai nos shows e acaba conhecendo as outras bandas independentes que abrem pros caras e tal.
Isso vai fazer com que o punk consiga “converter”, hahaha, mais um pessoal. Mas não vai virar “mania nacional”. E tomara que não vire, tá loco! Não quero ver meus amigos, nem eu, indo sentar no sofá da Xuxa, ou participar da Casa dos Artistas! Haha. Quem quer que a cena underground receba atenção da mídia? A troco do quê? A gente tem que entender que o underground é um movimento, uma cultura periférica em sua natureza e essência. Ela não nasceu e não foi feita pra receber atenção.
Ela só recebe atenção de quem dela se interessa, ou seja, de quem realmente tem algo a ver com ela. O underground também não foi feito pra dar dinheiro, portanto é um dos grandes motivos pelo qual não é e nunca vai ser de grande interesse e atenção da mídia. Acho que é mais ou menos isso.
Nossa, falei parecendo acadêmica agora né? Chique...hahaha

12) Estou sabendo que vocês estiveram em São Paulo para gravar material novo, fale um pouco sobre essas músicas e quando poderemos achar um cd do Hulk nas lojas? Já existe previsão?
Sim, sim! Nosso CD, chamado Bizzarro, vai sair agora em abril, com 15 músicas novas, todas gravadas no estúdio El Rocha, em São Paulo, com o Fernando. Foi a melhor coisa que a gente fez na vida, ter ido pra lá. O estúdio é classe A, o Fernando é gente boníssima, adoramos ele.
As músicas são composições de todos esses anos desde a última demo, a “4 punkrock songs”. Está bem guitarrado, pesado até alguns disseram. Com bastante influência emo, em especial devido à minha mania e da Flor de Alkaline Trio e bandas do tipo. O Júlio, que compôs a maioria das músicas, pegou muita influência de Hot Water Music, às vezes até de Helmet. Mas ainda têm umas surpresas legais, uns retornos ao básico, com uma ou duas canções bem ramônicas até, eu diria.
Certeza que vai agradar quem já curtia e acho que vai surpreender quem não conhecia direito.
Estamos bem contentes com o resultado. Esperamos que a galera fique também!

13) Quais os próximos planos da banda? Clip? CD?
Os planos são fazer muitos show durante o ano pra divulgar o CD, tocar em outras cidades principalmente. Não temos clip em vista, haha, acho essa idéia meio bizarra, mas tudo bem. Um dia, quem sabe... pro ano que vem daí pretendemos de repente armar algum esquema de tour no exterior, ir pra outros países, mas é muito cedo pra falar disso.

14) Valeu pela entrevista, espaço livre para deixar um recado, fique a vontade.
Queria agradecer o interesse de entrevistar a gente, obrigada mesmo pelo espaço e oportunidade. Queria lembrar ao pessoal que temos um site bem simpático na internet, além de um blog no qual escrevemos besteiras diariamente... haha! O endereço é www.hulkpunkrock.cjb.net .
Além disso, eu e a Flor fazemos o site brasileiro do Alkaline Trio, que vocês podem conferir no endereço http://alk3.iscool.net onde também tem um blog em que destilamos todo nosso amor inveterado pela banda. E, mais importante de tudo, stay punk!

Discografia:
em breve!